O sol e o cancro de pele
O sol é essencial para a vida, seus efeitos benéficos são muitos:
• Melanogénese- processo bioquímico de formação de melanina, pigmento que protege a pele da ação da radiação ultravioleta e lhe confere cor.
• Calor
• Efeito psico-estimulante – anti-depressiva.
• Acção anti-raquítica – síntese de Vitamina D, indispensável para crianças, mulheres grávidas e pessoas idosas
• Efeitos terapêuticos
No entanto, a exposição solar excessiva pode ter efeitos nocivos.
• Congestionamento
• Insolação
• Fotodermatose
• Fotoenvelhecimento
• Fotossensibilização
• Indução de Cancros
Este último, o cancro, está ligado diretamente aos grandes períodos de exposição ao sol sem a devida proteção. É preciso ter em conta, quanto a exposição:
Hora do dia - a radiação é máxima ao meio dia solar (30% do total da radiação);
Época do ano - estando o sol mais perto da Terra no Verão;
Latitude - perto do equador, a radiação é mais intensa porque incide de forma mais vertical pelo que a absorção atmosférica é mais fraca;
Altitude - aumento de 4% de UVB a cada 300m;
Nuvens e poluição - têm pouco efeito sobre os UV, mas trava os infra-vermelhos (radiação responsável pelo calor) dando uma sensação de falsa segurança;
Reflexão de superfície - aumento da exposição aos UV com superfícies mais reflectivas: neve 50 a 80%, areia 15 a 25%, água em movimento 20%, água estagnada 10%.
A pele vai somando por toda a vida os excessos de sol, ou seja, uma queimadora solar não é capaz, por si só, de induzir um cancro, mas os efeitos ficam gravados, acumulando-se com o passar doa anos. Os efeitos mais comuns, antes de um cancro, são uma pela seca, pouco elástica com aparecimento de rugas, manchas, sardas e seborreia.
Algumas pessoas sofrem ainda mais com a exposição solar, como aquelas de pele clara, olhos claros, cabelo louro ou ruivo sofrem mais frequentemente queimadura solar (e consequentemente o risco de sofrer queimadura solar ou desenvolver um cancro da pele) define os fototipos cutâneos, que se classificam de 1 a 6.
Para além do fototipo existem outros factores que aumentam a probabilidade de vir a ter um cancro da pele, designados factores de risco:
• Fototipo I/II; presença de sardas;
• Múltiplos sinais (>50 no tronco);
• Sinais atípicos (com mais de 6 mm, irregulares na forma, bordo e cor);
• Queimaduras solares (em particular na infância/adolescência) ou exposição solar
repetida ao longo da vida (por ex. Em pessoas com profissões ao ar livre como trabalhadores rurais, pescadores, etc.);
• História pessoal ou familiar de cancro da pele;
• Imunossupressão (defesas diminuídas, por ex. Transplantados, doentes com SIDA).
Os tipos mais frequentes são três: o carcinoma basocelular (CBC) em 70% dos casos, o carcinoma espinocelular (CEC) em 18% e o melanoma em 8%.
O CBC é um tumor de baixa malignidade e de evolução lenta que raramente metastiza, que pode atingir outros órgãos. Surge em geral na face e pescoço de pessoas com mais de 60anos e o aspecto mais típico é o de uma evolução na pele que ciclicamente faz ferida, podendo sangrar.
O CEC é localmente agressivo, tal como o CBC, mas de evolução rápida e pode metastizar. Predomina nas áreas foto-envelhecidas de pessoas idosas que passaram grande parte da sua vida ao sol. Caracteriza-se por um nódulo que vai crescendo de semana para semana e está muitas vezes coberto de uma crosta seca e verrugosa. Também ulcera e sangra com frequência.
Embora seja o menos frequente, o MELANOMA é o mais preocupante porque, se não for detectado precocemente, é muitas vezes mortal. Surge em pessoas mais jovens (em média por volta dos 50 anos), sendo o local mais frequentemente atingido o dorso (costas) no homem e dorso e perna nas mulheres.
Dicas para proteção
A medida mais importante é evitar do sol nas horas de maior intensidade de raios UV, normalmente entre as 11h e as 16h, no Verão. Quando isso não for possível então a protecção solar deverá ser feita com roupa apropriada sem esquecer o chapéu e os óculos de sol. Os protectores solares serão o terceiro nível de cuidados, devendo ter um fator de proteção solar igual ou acima de 15 e, idealmente nos grupos de risco, pelo menos 30. Estes cremes devem ser aplicados generosamente, aproximadamente meia hora antes da exposição solar e reaplicados de 2 em 2 horas. Quando há banho ou transpiração excessiva, é necessária a reaplicação.
Informações: Instituto Português de Oncologia de Lisboa Francisco Gentil, E.P.E.